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Blog dos Jaguatiricas
 


Escoteiros Bem Assombrados - 4

Caros Companheiros,

 

Esperamos que se deleitem com mais esse fato passado.

 

Como já afirmei, não cremos em fantasmas, mas...

 

Por ser um blog de História, todos os acontecimentos, por mais estranhos que sejam, foram relatados com rigor nos fatos. O escriba não viu um fantasma, mas relata quem viu!

 

Boa Leitura!

 

Ricardo Coelho - Escriba da Patrulha

 

 

QUARTO Conto

 

A REUNIÃO DA CROC

 

H

 

á até relativamente pouco tempo atrás, a estrutura do Movimento Escoteiro era bem diferente da de hoje. Na verdade, houve duas grandes mudanças na estrutura do Escotismo. Antes de meados da década de 1950, havia Federações estaduais, como a FEE: Federação Espírito-Santense de Escoteiros. Posteriormente, essas se converteram nas Regiões Escoteiras, denominação que ainda persiste, mas com estrutura diferente.

 

Hoje, como sabemos, há um Diretor-Presidente e vários diretores que podem tanto ocupar serviços pré-fixados ou não, de acordo com a Região. Há ainda Coordenadores de Ramos: Lobinho, Escoteiro, Sênior e Pioneiro e os de Modalidades: Mar e Ar. Os Coordenadores respondem a um dos diretores, podendo ser esse o próprio Diretor-Presidente, de acordo com a Região e, em outras Regiões, qualquer outro Dirigente, de acordo com a ocasião.

 

Havia ainda os Distritos, com estrutura própria e independente da então Direção Regional, embora alinhados a essa.

 

Como isso funcionava? Bom, começava pela própria UEB que tinha, estatutariamente, sede na Capital Federal. Quando a capital do Brasil era o Rio de Janeiro, ficava na Av. Rio Branco, 108 (foi em outros lugares antes, mas sempre no Rio de Janeiro). Passando a Capital para Brasília, houve uma certa demora, mas, finalmente, a Sede Nacional foi para o Distrito Federal.

 

A maior autoridade do Escotismo ficava a cargo do Presidente do Conselho Nacional. Era quem presidia as Reuniões do Conselho Nacional, equivalente às atuais Assembleias Nacionais, e, quando não havia esses eventos, representava o Escotismo junto às autoridades. Não era um cargo para qualquer um: tinha de ser uma personalidade nacional conhecida.

 

Havia a Diretoria: Diretor-Presidente, Diretor Vice-Presidente, Diretor Financeiro e Diretor Administrativo. Além desses, havia o Escoteiro-Chefe Nacional. Os Diretores compunham o que era chamado de Comissão Executiva Nacional.

 

Para ser um Escoteiro-Chefe Nacional, o membro tinha de ser, como era conhecido, Diretor de Curso de Insígnia de Madeira (DCIM) e morar na Capital Federal. Essa pessoa também compunha a Diretoria e ainda presidia a Comissão Nacional de Orientação e Coordenação: a CNOC.

 

A CNOC era composta pelos chamados Comissários Nacionais. Havia Comissário Nacional de Lobinho, Escoteiro, Sênior, Pioneiro, de Escoteiros Básicos, de Escoteiros do Mar, de Escoteiros do Ar, de Programa e outros que o Escoteiro-Chefe julgasse necessário.

 

Faziam também parte da CNOC os Assistentes Religiosos Nacionais, que estabeleciam as etapas aos escoteiros dos respectivos credos. Havia Assistente Religioso Nacional Católico, Evangélico, Mórmon, Budista e Israelita – esses foram os que ouvi falar.

 

Além desses, havia os Comissários Regionais, que também compunham a CNOC. Cada Região Escoteira tinha seu Comissário que deveria também participar da CNOC. Mas, pelo que até agora saiba, eram poucos os que iam às reuniões.

 

As Regiões Escoteiras tinham uma estrutura semelhante: um Presidente do Conselho Regional, as reuniões do Conselho e o Comissário Regional, correspondente local ao Escoteiro-Chefe Nacional.

 

O Conselho Regional elegia seu Presidente e o Presidente da Comissão Executiva Regional. O resto da Comissão Executiva viria em consequência. O Conselho Fiscal também era eleito pela Comissão Executiva Regional. Porém, não se elegia o Comissário Regional. O procedimento era mandar uma correspondência ao Escoteiro-Chefe Nacional indicando um nome e, ele, assim, nomeava. Se não fosse alguém digno da confiança dele, havia a solicitação de outra escolha.

 

O Comissário Regional formava, então, a sua Comissão Regional de Orientação e Coordenação – a CROC. Essa era composta pelos Assistentes Regionais de Ramos, Modalidades, Credos Religiosos, além de outros como o Assistente Regional de Programa – em geral, uma pessoa que nunca soube o que fazer no seu cargo!

 

Fazia parte também da CROC os Comissários Distritais. Os Distritos possuíam uma estrutura exatamente igual à Região, inclusive com reuniões do Conselho Distrital e a indicação de um nome para que o Comissário Regional nomeasse para ser Comissário naquele Distrito. E havia, logicamente, os Assistentes Distritais de Ramos e Modalidades. Por exemplo, eu mesmo fui Assistente Distrital de Escoteiros do Mar.

 

Em verdade, pouquíssimos Distritos funcionavam plenamente com todos os encargos e reuniões. Uma pena!

 

Nos Grupos Escoteiros, havia a Comissão Executiva do Grupo e o Conselho de Chefes. Em comum às duas entidades, havia a pessoa do Chefe de Grupo, que era também nomeado pelo Comissário Regional.

 

Na época em que o Comissário Regional era João Cabas Filho, as reuniões da CROC eram realizadas na Capela Santa Luzia, em Vitória.

 

 

 

 

Foto 1 - capela santa luzia - foto do autor

 

 

 

Cabas era um descendente de libanês de grande porte e voz poderosa. Ele montou a CROC, na época, com Luiz Carlos Aquino de Gaspar, o Comissário Regional Adjunto, Xisto Penha, o Diretor de Adestramento, um cargo ocupado indevidamente, pois ele não possuía a Insígnia de Madeira, Manoel José da Rocha, Comissário do Primeiro Distrito, Laurindo Caldana, Assistente Regional de Escoteiros do Mar (nunca entrou na água em toda a sua vida, diga-se de passagem), Maria das Dores Chagas, Assistente Regional de Lobinhos e outros que me fogem a memória.

 

Eu era novo no Movimento e tinha sido chamado para me reunir com a CROC, num evento específico: a Reunião do Conselho Nacional de 1977, que seria realizada em Guarapari. Eu teria o cargo de Coordenador de Transportes, até por uma razão prática: eu era o único membro do Movimento Escoteiro em Vitória com Carteira de Motorista e acesso a um automóvel: um belo Fusquinha 1976, do meu pai e eu era o único motorista da casa.

 

Minha primeira reunião da CROC. Estava nervoso, é claro, mas tinha o apoio do Chefe Manoel Rocha, Comissário Distrital e Chefe do Grupo que eu fazia parte: o 15º ESMar Marinheiro Marcílio Dias.

 

Conforme Chefe Rocha tinha me alertado, a reunião seria tensa, pois o Comissário Regional Adjunto sempre fazia um contraponto a qualquer ideia que aparecesse. Naquele dia, estavam presentes ele, Chefe Cabas, Chefe Xisto e eu. Para poder expor as ideias, pessoalmente me confrontei, respeitosamente, pois a hierarquia era muito rigorosa na época, com o Chefe Luiz Carlos, informando a ele que eu não tinha ideias políticas (indiretamente, disse que suas ideias eram políticas demais) mas, sim, técnicas. Sem argumentos, fiz o meu primeiro, e, por muito tempo, meu único ponto em reuniões desse tipo.

 

A Capela Santa Luzia, onde nos reuníamos, era um lugar muito agradável e que permitia que as ideias fluíssem livremente sem a preocupação de incomodar a ninguém nem de ser interrompido desnecessariamente… Bem, até uma determinada hora.

 

Faltavam cinco minutos para as dez da noite, quando Cabas parou a reunião e determinou seu imediato encerramento, sendo que, em outra data, as discussões continuariam. Todos concordaram. Uma oração rapidíssima foi dada e, em menos de três minutos depois, ele trancava a porta da capela e nós já estávamos no lado de fora.

 

Cabas, membro da Ordem Terceira de São Francisco, possuía as chaves de tudo quanto era igreja em Vitória, diga-se de passagem.

 

Levei Chefe Rocha de carro para casa. Ele morava longe. Chefe Luiz Carlos e Chefe Xisto voltaram de ônibus e Chefe Cabas foi a pé, pois ele morava perto.

 

No carro, quis saber com Rocha o porquê desse final repentino da reunião. Chefe Rocha deu uma risada, e informou que lá havia um padre que brigava com quem ficasse no recinto depois das dez da noite.

 

Argumentei que o padre não estava lá e que, ele chegando, a gente sairia tranquilamente. Mas interromper abruptamente a reunião me pareceu um despropósito.

 

Chefe Rocha explicou que não era assim. O padre simplesmente ameaçava quem estivesse lá. E completou:

 

— Ele faz isso há muito tempo. Ele briga com quem está lá dentro, mesmo duzentos anos depois de morto!

 

É! Havia razão para se fugir da Capela Santa Luzia naquele horário!



Escrito por Coruja Anã às 16h56
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Jamboree Panamericano

Caros Companheiros,

 

Sabemos que ir a um Jamboree não é tarefa fácil.

 

Imaginem isso para Escoteiros do Amapá para irem ao Jamboree Panamericano no Rio de Janeiro em 1965!

 

Confiram isso no site: http://montorilaraujo.blogspot.com.br/2011/05/1-jamboree-pan-americano_25.html

 

Boa leitura e Sempre Alerta!



Escrito por Coruja Anã às 16h20
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Um tributo a Walter Dohme - 3

 

Seus Personagens: Alertino e Xiquinho

 

Seguem amostras do seu trabalho que foi bem divulgado e aceito entre escoteiros de todo o Brasil. Reparem que Walter acompanhou até à modernização das cores das vestes em dois desenhos com a mesma mensagem e aparentemente iguais. Ele não só desenhou seus personagens e um dos seus desenhos veio com caracteres gregos.


 

 

E, finalmente, como se esperava, o Balaio Quadrado (http://balaioquadrado.com/) também prestou sua homenagem. Confiram!

 



Escrito por Coruja Anã às 17h36
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Um tributo a Walter Dohme - 2

 

Também prestou sua participação em outros eventos como:

 

  • Rally Nacional de Lobinhos em SP, RJ, CE, PR, RS.

  • Jamborees Pan Americanos em Assunção, no Paraguai e no Parque Saint Hilaire em Porto Alegre, RS em 1981

  • Jamboree Colombo em Ozório, RS, em 1992

  • Jamborees Mundiais no Canadá, na Holanda e no Chile.

  • Acampamento Regional de Patrulha

  • Ajuris Nacionais

  • Acampamento Internacional de Patrulhas em Barretos, SP, em 1994.

  • Encontro Nacionais de Ramos - Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza.

  • Equipe coordenação da reforma do POR e Estatutos da UEB, da ERA (Equipe Regional de Adestramento) e da ENA (Equipe Nacional de Adestramento).

  • Seminários Internacionais no Brasil, Chile e na Costa Rica.

  • Conselho Interamericano em Cartagena das Índias, na Colômbia.

  • Coordenador Cultural Adjunto dos Jamborees da Guatemala e do Chile.

  • Coordenador Programa MACPRO e FICHAS REME

  • Seminários Interamericanos de Adestramento no Chile e na Costa Rica.

  • Conselhos Regionais (correspondente hoje às Assembleias Regionais) desde 1980. Foi Conselheiro Regional por vários anos.

  • Conselhos e Assembleias Nacionais

  • Participação desde 1980 como Delegado Regional  e  Conselheiro Nacional.

 

Foi ainda coordenador de diversos eventos:

 

  • Acampamento Regional Patrulhas - Cemucam em Cotia, SP, em 1984.

  • Ajuri Nacional - Cemucam em Cotia, SP, em 1985.

 

E, também, fez as seguintes colaborações em mídia:

 

  • Periódico Sempre Alerta

  • Periódicos da UEB/SP.

  • Jornais de São Paulo/SP

 

E escreveu para Cursos de Formação:

 

  • Seções para diversos Ramos do CAP, CAB e CAA (Cursos de Adestramento Preliminar, Básico e Avançado).

  • Manual de Segurança em Atividades Escoteiras.

  • Manuais de diversos Cursos Técnicos de Adestramento e, mais tarde, de Formação.

  • Manual de Primeiros Socorros

  • Manual de Reuniões Especiais

  • Manual de Jogos Interativos.

  • Fichas Técnicas

  • Apostila de Especialidades

  • Apostila de Grandes Jogos.

 

Recebeu os seguintes reconhecimentos:

 

  • Gratidão - Grau Ouro em 30 de agosto de 1985 (M04252)

  • Diploma de Mérito Nacional em 15 de abril de 1982 (D01101)

  • Medalha de Gratidão Grau Bronze em 19 de fevereiro de 1986 (02889)

  • Cruz de São Jorge em 5 de novembro de 1997 (M07934)

 

Além dessas medalhas, recebeu ainda a de Bons Serviços Grau Ouro, que não soubemos como especificar, e em agosto desse ano, recentemente, recebeu a Medalha Tiradentes.

No próximo blog, mostraremos seu trabalho!



Escrito por Coruja Anã às 17h32
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Um tributo a Walter Dohme - 1

 

A Patrulha Jaguatirica presta uma singela homenagem a Walter Dohme, que partiu para o Grande Acampamento nesse 23 de setembro de 2015.

 

Podemos dizer que foi um choque para todos nós tomarmos ciência de tão triste passamento. Walter Dohme foi inspirador em tudo o que fez e comunicou através dos seus personagens Alertino e Xiquinho – magnificamente bem desenhados, podemos até dizer!

 

 

 

Querido Chefe Walter Bartiling Dohme,

 

Eis que, então, nos deixaste para trás!

 

O Bom Deus quis assim… Que Ele te tome!

 

Lá, com certeza, trabalharás em paz!

 

 

 

Mas, saiba, nos deixaste com grande fome

 

Da Ciência de quem bem sabe o que faz!

 

Pois faremos para que, a nós, se some

 

O teu legado que ainda nos traz!

 

 

 

Seremos inspirados pelo teu nome

 

Sinônimo daquele que foi capaz

 

De, suavemente, soar como ingome!

 

 

 

Adeus, Chefe, tu és nosso grande ás

 

Sempre Alerta, meu bom Chefe Walter Dohme

 

O que, no Céu tu, ainda, criarás?

 

RCS

 

 

 

Breve Biografia

 

Agradecemos ao Jaguatirica Alexandre Bianchi por ter nos enviado a biografia resumida, preparada pelo Companheiro Elmer Pessoa.

 

BIOGRAFIA:  WALTER  BARTILING  DOHME

 

Walter Dohme era publicitário, formado e com pós-graduação em Propaganda e Marketing. Nasceu em 19 de abril de 1948 e faleceu em 23 de setembro de 2015. Deixou a esposa Vânia D’Angelo Dohme e duas filhas que compõem uma família escoteira.

 

Fez sua Promessa como Escoteiro na década de 1950 como Escoteiro, em São Paulo, dando continuidade à sua vida como membro jovem, sendo Sênior e Pioneiro.

 

Como adulto, foi Assistente de Chefe de Seção (na época, era chamado de Sub-Chefe da Seção), e continuou, tendo sido Chefe de Seção, Chefe de Grupo (semelhante, hoje, ao que seria Diretor de Programa Educativo ou Diretor Técnico) e Diretor-Presidente de Grupo Escoteiro.

 

Fez o Curso Preliminar e os Cursos Básicos de Lobinho, Escoteiro, Sênior e Chefe de Grupo e Comissário Distrital. Em 1977, fez o CAA do Ramo Escoteiro, se tornando logo IM do Ramo Escoteiro.

 

Fez, também, o CA-1 e o CA-2, os Cursos de Adestradores, como eram então chamados, tornando-o elegível a ser respectivamente, Diretor de Curso Básico e Diretor de Curso Avançado, cargos que efetivamente lhe foram outorgados.

 

Foi Assistente Distrital de Adestramento (como a Formação era chamada na época), Assistente Regional Ramo Escoteiro, Comissário Regional em São Paulo, Comissário Nacional Ramo Escoteiro no período que Escoteiro-Chefe era o Padre João Fagundes Hauck e ainda foi membro de diversas Equipes Regionais e Nacionais de Assuntos e Ramos.

 

Foi diretor de diversos Cursos do Nível Preliminar, Básico de todos os Ramos, Avançado dos Ramos Lobinho, Escoteiro e Sênior, além do Avançado de Chefe de Grupo e Comissário. Dirigiu ainda Cursos Técnicos de diversos assuntos e Cursos para Adestradores.

 

Ainda, participou de diversos Seminários Regionais, Nacionais e Internacionais de diversos Ramos e Assuntos e foi membro da Equipe da reforma do POR, na época Escoteiro-Chefe Igor Kipman.

No próximo blog daremos continuidade.

 

 



Escrito por Coruja Anã às 17h21
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Escoteiros Bem Assombrados - 3

Senhores,

Esse é o terceiro conto sobre assombrações escoteiras. Esse, foi sobre o acontecimento mais recente de todos os contos que atualmente possuo!

Ainda não consigo colocar um por semana! A tarefa é mais complicada do que se aparenta! Pelo menos, espero que apreciem!

 

 

TERCEIRO Conto

 

O FANTASMA DE CELULAR

 

U

 

ma das atividades mais interessantes do Escotismo no Espírito Santo é o Acampamento da Amizade, hoje chamado de “Acamizade”. É um encontro regional do Ramo Escoteiro, num evento que é sempre muito aguardado

A criação do Acampamento da Amizade se deveu entre 28 e 30 de julho de 1978 na cidade de Bananal do Sul, perto de Linhares, numa região denominada Jesuína, entre os dois municípios, numa propriedade paroquial chamada de Casa Baden-Powell. Seu idealizador foi o Padre Daniele Caprotti e eu tive a honra de ter sido o primeiro Chefe de Campo. Washington Cypreste também estava no acampamento.

Esse evento perpetua até hoje, e não sei qual seria a sua atual edição, pois a História do Escotismo Capixaba foi lamentavelmente jogada no lixo por inconsequentes que quiseram, e conseguiram, ferir o Movimento no estado. Sei que fui organizador de uma das edições do A.A. (como era chamado antes) e, ao querer saber que edição seria, me informaram que seria o quarto acampamento. Desenhei, então, um distintivo com o número quatro em algarismos romanos na frente de um portal triangular dando vista, no seu interior, a uma barraca canadense, representado, assim, os dois AA.

Vamos à edição do Acamizade de 2012. Aconteceu na cidade de Ibiraçu. Esse é o município mais central do estado; seu nome significa “Pau Gigante”, vindo do rio que banha a cidade que tem a fama de ser minúscula e possuir o melhor pastel da rodovia BR 101. O local do acampamento foi um edifício que outrora fora um colégio. Um prédio imponente que, quando vi, ligou alguns fatos de minha memória, quando adolescente.

Naquele prédio, antes com amplos dormitórios, um grande refeitório e um teatro, participei como aluno do Curso de Liderança Cristã, com muitos amigos e colegas, inclusive, escoteiros na época. Mas não guardo boas lembranças desse Curso.

No acampamento, com um fantástico número de participantes em relação a uma Região Escoteira tão pequena, fiz uma visita como Diretor Vice-Presidente da Região e perguntei aos jovens o que eles estavam sentindo ao acamparem nos terrenos daquele prédio.

Eis que, para a minha surpresa, descobri que a área utilizada era tão somente a parte externa. Ninguém tinha coragem de entrar no seu interior, pois todos estavam com medo. E me mostraram uma das razões: um quadro sacro em que o santo tinha sido pintado de frente. Isso dá um efeito interessante: mesmo o vendo um pouco de lado, dá-se a impressão que os olhos estão fitando o observador. Os jovens então estavam apavorados com o quadro cujos olhos os acompanhavam quando passavam.

Foi naquele momento que tive a inspiração de escrever o presente livro. Quantas histórias já escutei e até presenciei. Dá um livreto, sim senhor, e até comentei sobre isso.

Eis que um escotista me contou sobre uma aparição que um escoteiro de sua Tropa teve e que apavorou o jovem. Parece que foi em Ibiraçu mesmo.

O rapaz viu o fantasma de uma mulher tentando falar ao celular. Ela lamentava e reclamava a falta de linha e que não conseguia falar com quem ela queria, e assim, de celular na mão, ele discava, aguardava sinal, gritava com a pessoa do outro lado da fantasmagórica linha, na esperança que se escutasse, e nada! E, na sua frustração, ela continuava tentando!

Pobre mulher! Deve ter sido assim que ela morreu. Mas eu fiquei muito interessado nessa história. Um fantasma moderno, enfrentando uma situação angustiante dos novos tempos. E com um celular às mãos!

Sim, e por que não? Tive a curiosidade de saber quem fora essa mulher em vida e evitar usar tal companhia telefônica que não dava resposta quando ela tentava falar com quem quer que fosse!



Escrito por Coruja Anã às 11h15
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Dissecando o ensino superior até 2018

Caros Companheiros,

Trago, aqui, uma importante contribuição do Companheiro Jaguatirica Maurício Moutinho da Silva, Coordenador Nacional da Patrulha. Ele nos enviou isso em 07/05/2013, e, em muitas coisas, o texto continua moderno e profético, mesmo aquilo que vem com algum atraso.

Em outras, já aconteceu...

Matéria extraída do Portal Porvir (http://porvir.org/) o qual recomendamos a leitura.

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Relatório norte-americano  identifica seis tecnologias emergentes que deverão se tornar populares, seis tendências e seis desafios que as universidades devem ter no seu dia a dia para um período de até cinco anos.

Acaba de sair do forno o Horizon Report 2013 voltado ao ensino superior. Já tradicional e esperado, o documento anual identifica seis tecnologias emergentes que deverão se tornar populares até 2018, seis tendências e seis desafios que as universidades devem ter no seu dia a dia para um período de até cinco anos. O grupo que ajudou a elaborar o relatório foi composto por 51 especialistas em educação, tecnologia e futuro, além de escritores e pensadores. Eles foram reunidos pelo New Media Consortium e pela Educase Learning Initiave, ambas organizações localizadas nos EUA e dedicadas ao estudo das tendências na educação. Confira, a seguir, as três listas.

 TECNOLOGIAS

Ao grupo de especialistas foi perguntado que tecnologias teriam maior importância para o ensino, a aprendizagem e o questionamento criativo nos próximos cinco anos, dividindo as análises em três espaços de tempo: até 1 ano, de 2 a 3, e até 5. A pergunta, respondida por meio de uma complexa metodologia que envolve análise de bibliografia e compilação de dados colaborativamente, tentava determinar muito mais do que uma moda, mas as ferramentas que passariam a ser usadas pelas principais instituições de ensino superior. Confira a lista:

1. Moocs (1 ano)

Os Cursos Abertos Online Massivos (Moocs, na sigla em inglês) se tornaram muito populares a partir do ano passado, com o lançamento de iniciativas de peso, como edX, Coursera e Udacity. Algumas das características que justificam toda essa popularidade são a possibilidade de aprendizado continuado, de nível superior e gratuito.

2. Tablet computing (1 ano)

Na medida em que os tablets têm se tornado tecnologias mais baratas, também fica mais claro que esses aparelhinhos têm características únicas, que podem ser aproveitadas no universo educacional. Como são portáteis, facilitam o acesso à internet e o compartilhamento de documentos em quase qualquer ambiente. Além disso, com a possibilidade de baixar uma variedade imensa de apps, cada tablet também facilita um aprendizado customizado.

3. Gaming e gamificação (2 a 3 anos)

Gaming, ou simplesmente jogar, tem por objetivo promover o engajamento dos alunos, uma vez que desafia seus conhecimentos em uma determinada disciplina. Mais recentemente, surgiu a necessidade de se incluir também a gamificação nessa tendência. A gamificação é a integração dos elementos dos jogos, como níveis, badges e competição, ao currículo. Nas edições anteriores do Horizon Report, essa dimensão vinha sendo chamada de educação baseada em jogos, mas foi ampliada na medida em que, além de incluir as ferramentas necessárias para apoiar o aprendizado, essa tendência também está envolta a em uma cultura e em um design específicos.

4. Learning analytics (2 a 3 anos)

Ferramenta usada para decifrar tendências e padrões a partir de big data disponível sobre o aprendizado dos alunos. Primeiro, o uso do analytics se restringia a alunos com dificuldades de aprendizado. Hoje ele já se mostra um recurso mais generalizado e extremamente útil para fazer escolhas pedagógicas a partir da necessidade dos alunos. As universidades têm usado o analytics para fazer com que o processo de orientação dos estudantes se torne muito mais preciso.

5. Impressoras 3D (5 anos)

As impressoras 3D oferecem uma forma muito mais barata e rápida de se prototipar projetos. No cenário educacional, essas ferramentas têm sido usadas em uma gama muito grande de pesquisas e laboratórios, especialmente de Stem (acrônimo que reúne áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática). A expectativa dos especialistas é que, em cinco anos, elas passem a ser amplamente usadas em outras áreas para criar modelos tridimensionais

6. Tecnologia para vestir (5 anos)

Pela primeira vez no Horizon, a chamada "wearable technology" integra equipamentos eletrônicos a roupas e acessórios. Muitas dessas tecnologias já têm aparecido no mercado e já mostram potencial para serem usadas no ensino e no aprendizado. Realidade aumentada e telas finas que podem ser acopladas a superfícies são exemplos que devem se desenvolver.

TENDÊNCIAS

Para produzir o relatório, os especialistas são convidados a entender o contexto em que a educação está para tentarem prospectar temas que se tornarão tendências. Muitas das tendências descritas pelos especialistas têm estreita correlação com as tecnologias há pouco apresentadas.

1. Educação aberta

Conceitos como conteúdo, dados e recursos abertos, assim como noções de transparência e acesso fácil à informação estão se tornando um valor importante. Muito comumente confundida com educação gratuita, a educação aberta não só é grátis, mas replicável, remixável e sem barreiras ao acesso e à interação.

2. Cursos abertos e gratuitos

Com a popularização dos Moocs, os cursos online, abertos e gratuitos passam a se fortalecer como uma alternativa ao estudo tradicional.

3. Habilidades do mundo real

O mercado de trabalho demanda dos recém-formados habilidades que são mais frequentemente adquiridas fora da escola, em situações de aprendizado informal.

4. Novas fontes de informação

Existe um crescente interesse em usar novas fontes de informação para personalizar e medir a experiência do aprendizado. Com os alunos se dedicando cada vez mais a atividades online, há cada vez mais pegadas digitais que podem ser rastreadas pelo analytics, ferramenta também em franco desenvolvimento.

5. Novo papel para o professor

O crescimento e a valorização do aprendizado informal e o aumento na quantidade de recursos de educação têm feito com que as funções dos educadores sejam repensadas. Agora, eles devem se portar muito mais como mentores e conectores de todas as informações disponíveis do que detentores do conhecimento.

6. Novo paradigma

A educação caminha para se tornar cada vez mais online, híbrida e calcada em modelos colaborativos.

DESAFIOS

Tanto as tecnologias emergentes quanto as grandes tendências esperadas no campo da educação superior têm sua ocorrência atrelada a importantes desafios por que passam as universidades.

1. Capacitação de professores

Docentes ainda não estão sendo capacitados para agir na era digital.

2. Novas formas de avaliação de pares

A métrica que costumava ser usada para avaliar trabalhos científicos não consegue avaliar com precisão trabalhos difundidos via internet. Novas formas de revisão de pares, tais como notas de leitores, inclusão e menção em blogs influentes, tagueamento e retuítes, começam a ser valorizadas.

3. Resistência interna

Muito frequentemente é o próprio processo educacional que limita a adoção de novas tecnologias.

4. Tecnologias e práticas inadequadas

Tecnologias capazes de oferecer um aprendizado cada vez mais personalizado têm sido muito demandadas, mas elas estão apenas começando a ser adotadas.

5. Modelos tradicionais são questionados

A popularidade e o alcance dos Moocs está obrigando instituições tradicionais de ensino superior a repensarem o seu papel.

6. Pesquisadores não usam tecnologias

Muitos professores e pesquisadores ainda não usam as tecnologias digitais para aprender, ensinar ou mesmo organizar a sua pesquisa.



Escrito por Coruja Anã às 19h44
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Escoteiros Bem Assombrados - 2

Senhores,

Esse é o segundo conto sobre assombrações escoteiras. E aconteceu comigo!

Quis botar um por semana, mas falhei. Espero corrigir na próxima vez!

 

Ricardo Coelho dos Santos

Escriba da Patrulha Jaguatirica

 

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SEGUNDO CONTO

O MISTERIOSO CHAPÉU FLUTUANTE

Santa Leopoldina, situada nas serras capixabas, é uma das cidades mais bonitas do estado. E não é de hoje!

O 15º ESMar Marinheiro Marcílio Dias foi para lá para o acampamento de Carnaval. Naquela época, final da dé-cada de 1970 e início da década de 1980, a modernidade ainda não chegara na maioria dos municípios do interior do Espírito Santo, de modo que no Carnaval, os Grupos encontravam a tranquilidade que precisavam e realizavam grandes atividades em acampamentos de quatro dias.

O prefeito e o juiz local, em pleno acordo, proibiram a realização de festejos carnavalescos na cidade. Aliás, a realização de uma festa particular em casa necessitava da autorização do delegado de Polícia. São costumes que, se hoje causam estranheza, na época eram perfeitamente aceitáveis naqueles lugares.

Não se podia brincar de Carnaval, mas podia se andar fantasiado. Entenda-se! Mal o Grupo se instalara, todos viemos a saber que uma família do Rio de Janeiro, proprietária de uma residência na cidade, comemorara o aniversário da filha pequena com um bailinho de Carnaval e o dono da casa foi preso na presença de todos. Para Chefe Manoel Rocha, ex-Sargento do Corpo de Bombeiros, a atuação do delegado foi correta. Eu preferi me calar. Era o meu primeiro acampamento de Tropa, estava ainda aprendendo mais do que ensinando e decidi que, para aprender mais, deveria guardar meus palpites para depois.

Acampamos numa espécie de parque com vista a uma ponte para pedestres sobre um afluente do rio Santa Maria, e essa ponte tinha também sua história: ninguém passava lá à noite.

Perguntei a Chefe Rocha o porquê disso, e ele me respondeu que muitos que tentaram cruzar o rio por aquela ponte, à noite, quando batia um nevoeiro forte, não apareciam do outro lado vivos!

Um Escotista com 20 anos de idade ao escutar isso fica excitado até às espinhas. Isso, eu tinha de ver de perto! Chegou a noite, por volta das nove horas, um intenso nevoeiro caíra sobre a região e fui. Não deixei os escoteiros virem comigo. Manoel Rocha ficou entre o acampamento e a ponte me observando de longe. A névoa estava tão espessa que, mesmo para uma ponte tão pequena, não se enxergava o outro lado. Tinha alguns postes de iluminação, mas somente os mais próximos estavam visíveis. Local perfeito para um assassinato!

Fui até o outro lado e voltei. Uma experiência e tanto. Inesquecível. Até havia na cidade outra ponte para automóveis que a população de lá fazia questão de passar se desviando daquela onde eu estava só por causa do medo — e quem conhece o povo de lá sabe que ninguém tem medo à toa naquela cidade!

Bom, cheguei vivo! Isso é, creio que ainda estou vivo!

O Grupo se convenceu em ficar na sua, ninguém foi para a ponte, pois tal neblina realmente consistia em perigo, pois assaltantes encontrariam ali um lugar perfeito para seus delitos, e o acantonamento prosseguiu. Sim, acantonamento, pois o local escolhido para acamparmos tinha sido convertido numa pasta de barro mole devido às chuvas que em fevereiro costumavam castigar a região serrana.

O local oferecia todas as condições para um grande acantonamento e, então, foi essa a decisão tomada na hora que chegamos, por não haver um local adequado para as barracas.

Uma ronda foi estabelecida. Por ter somente Chefe Rocha e eu como adultos, resolvemos colocar os mais velhos como responsáveis pela ronda, devendo me acordar para cada coisa diferente que encontrassem.

E, na primeira noite, dormimos um pouco mais tarde que o usual.

O Monitor Mauro Machado Teixeira, um primo distante de Manoel Rocha, acabou me acordando apavorado:

— Chefe, tem um chapéu andando para cima e para baixo, sem uma pessoa embaixo!

Eu e Manoel Rocha acordamos.

— Como assim, Mauro! — perguntei.

— Um chapéu, Chefe, andando sozinho!

Estranhei a notícia e fui ao acampamento. Os meninos devem estar ainda apavorados com a história da ponte, avaliei para mim. E Mauro me levou para o meio do local de atividades.

Realmente estava lá: em enorme chapéu branco, andando para um lado e para o outro, a uns vinte metros na minha frente.

O nevoeiro prosseguia. A luz, vinda do poste mais próximo, situado na cabeceira da ponte, iluminava muito mal o local, dando um sinistro destaque àquele chapéu sobre tudo o que se podia ver ao redor. As lanternas, pequenas e fracas, perdiam sua luz com a névoa.

Usei o pensamento lógico-matemático de um estudante de Engenharia. Sim, tem alguém usando aquele chapéu — ou, como dizia Mauro, embaixo daquele chapéu. Mas, quem seria?

Chefe Rocha era conhecido como um pregador de sustos nos rapazes, às vezes com ideias geniais. Mas ele se mostrava apreensivo da porta da sala de onde todos dormíamos.

Cheguei perto e gritei:

— Boa noite!

No escuro, uma dentadura alva, mais branca que o chapéu, mostrou uma gargalhada simpática, e respondeu ao meu cumprimento.

Um dos poucos policiais da cidade, não usava o uniforme que os de baixo escalão utilizava, era também um dos poucos afrodescendentes daquele município colonizado por alemães. Ele tinha a pele muito negra, e vestia-se totalmente de preto, usando um chapéu vistoso, branco como papel. Ainda, usava uma bicicleta Göricke Ônix, totalmente preta. Só o chapéu e o sorriso simpático eram visíveis naquela luz fraca e naquele nevoeiro.

Ele estava cruzando o local do acampamento, para saber se tudo estava bem, e, assim, conversamos longamente. Ele não acreditava em fantasmas, de modo que aquela era a sua área de vigilância, e que estaríamos seguros com ele ali por perto.

Sim, eu me senti seguro. Gostei do bom policial. Os meninos, não. Preferiram dar mais asas à imaginação e ficar com medo daquele estranho homem cujo chapéu andava, sem ninguém embaixo.

Quanto à ponte? Bem, ela passou a alimentar a minha imaginação e me inspirou a escrever um longo livro!



Escrito por Coruja Anã às 23h23
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Escoteiros Bem Assombrados

Conto apanhado em depoimentos de escoteiros que viram assombrações e casos semelhantes. Nenhum desses contos são da imaginação de alguém da Patrulha Jaguatirica, e sim, resultados de apanhados gerais.

 

Segue o primeiro conto. Os demais virão em seguida, sendo um por semana!

 

Ricardo Coelho dos Santos

Escriba da Patrulha

 

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PRIMEIRO CONTO

O ENFORCADO

UM dos pioneiros do Escotismo no Espírito Santo foi o Professor Eduardo de Andrade e Silva. Um grande educador que veio a beber a poção mágica do Escotismo que lhe foi oferecida por Gabriel Skinner, e, assim, veio a disseminar o Escotismo por todo o estado.

Para entender um pouco mais a nossa história, temos que relatar como era a educação na década de 1930 e antes. Crianças não tinham direitos e os professores andavam de palmatória na mão para fazer os alunos lembra-rem da tabuada de multiplicar de sete. Minha mãe foi professora nessa época.

Hoje, dificilmente se imaginaria um acampamento de Patrulhas sem um Escotista responsável e qualificado supervisionando discretamente. Naquela época, os meninos se faziam sozinhos e o medo maior era de animais sel-vagens que poderiam atacar os jovens. Um escoteiro, numa ronda, carregando uma espingarda, matou uma onça que lhe dera o bote!

Mas o medo do desconhecido era algo que ninguém queria admitir. Os Escotistas da época afirmavam, co-mo se fosse um artigo da Lei, que um escoteiro não tinha medo, de modo que todos se calavam diante o pavor de coisas que ninguém conseguia explicar.

Havia, naquele tempo, no Espírito Santo, Tropas Escoteiras, e não Grupos Escoteiros. E Chefe Eduardo era o responsável pela Tropa Domingos Martins, que, embora já não existisse na década de 1960, exerceu grande in-fluência na Região Escoteira do Espírito Santo até à década de 1980, pois seus jovens vieram a ser os Escotistas e Dirigentes que conduziram a Região nessa época. Na época, funcionava na Escola Jeronymo Monteiro, em Vitória.

Entre os Escoteiros do Professor Eduardo, destaco o Chefe Washington Cypreste, que me relatou esse con-to.

A Tropa tinha ido acampar exatamente no município de Domingos Martins, o mesmo nome da Tropa, na re-gião de Biriricas. Um lugar conhecido por ser muito frio e úmido, mas de beleza ímpar.

Era noite e o jovem Washington, monitor da Patrulha Lobo, o que veio a lhe dar o apelido de Lobão que o acompanhou até o fim dos seus dias, fazia a ronda noturna.

Uma tempestade estava se aproximando. Naquele lugar, as tempestades vêm violentas e repentinas, e as chuvas que antecedem o verão, carregadas de raios, trovões e relâmpagos, eram as que mais causavam apreensão, principalmente para quem tinha de passar a noite em barracas. Os acampamentos não poderiam ser nos vales, por mais atrativos que fossem, pois o menor riacho se transformava num rio caudaloso com fortes correntezas, poden-do arrastar pessoas pouco precavidas.

As barracas de antigamente eram de lona e abertas embaixo. Um escoteiro tinha de forrar o chão e cavar uma vala em torno de cada uma, usando a terra retirada para calafetá-la e evitar a entrada de insetos. Isso fazia com que uma chuva fosse bem mais temida que as que cairiam hoje, com barracas isoladas e mais práticas.

Washington e seu companheiro de ronda vislumbravam os relâmpagos iluminando todo o vale com força. Estavam preocupados e atentos. Queriam acordar o Chefe e alertá-lo para a chuva que estava se aproximando. Ele deveria observar mais amiúde se todos estavam seguros. Mas temiam o que o Chefe falaria. Certamente lhes cha-maria a atenção, dizendo que eles é quem deveriam verificar esses itens e, portanto, trataram de procurar se havia alguma barraca que seria prejudicada com a chuva ou se havia algum local sujeito à queda de raios.

Eis que, num dos relâmpagos, viram a sombra de um enforcado!

Washington e seu companheiro se apavoraram. A sombra tinha sido muito nítida, e foi inclusive percebida pelos dois, para que fosse um engano.

Voltaram os rostos na direção contrária à sombra e, em mais um relâmpago, realmente vislumbraram a si-lhueta de uma pessoa pendurada numa árvore pelo pescoço, no alto de um morro.

Não tiveram dúvidas. Correram para acordar Chefe Eduardo.

O bom mestre, sempre mais preocupado para dar uma lição do que verificar os fatos, nada viu. Não se sabe o porquê, mas, quando uma testemunha é arrolada nessas horas mais bizarras, os fatos deixam de se mostrar. Os relâmpagos simplesmente desapareceram e a noite começava a trocar as nuvens ameaçadoras pelas convidativas estrelas. Tão rápido como as chuvas vêm, elas se vão!

Tentaram iluminar mais o local, dando mais carga aos lampiões para procurar pelo menos a elevação ou morro em que o enforcado estivesse. Nem morro, naquela direção, havia. Eles estavam numa região cercada de altas, belas e íngremes montanhas, mas, de onde viram o enforcado, não havia morro. O que viam era o montante do rio que banhava a região, de modo que os morros estavam muito distantes para que se vissem uma pessoa tão próxima a ponto de assustá-los.

Chefe Eduardo os reprimiu pelo excesso de imaginação causado pelo medo e avisou que, no dia seguinte, ambos conversariam com ele a respeito daquele assunto.

Se eles dormiram direito naquela noite ou não, não sei. Mas, no dia seguinte, Chefe Eduardo os chamara. Mostrou-lhes de onde teriam visto a sombra. O morro mais próximo deles ficava a uma distância considerável e sua mata ficava a uma boa distância para que uma pessoa pendurada em um galho pudesse ser vista.

Mostrando a mata, o professor lhes incumbiu de uma tarefa para que perdessem o medo e não deixasse mais que suas imaginações lhes pregassem peças. Mandou que eles procurassem o caminho até à mata, fossem lá para cima e, de lá, verificassem o que tinha para que eles verificassem o quanto eles estariam realmente enganados.

Sem reclamar, lá se foram os dois. Carregando uma marmita, um cantil e um facão, cada um, além de uma corda, um estojo de primeiros socorros e um par de bandeiras semafóricas para se comunicarem, partiram sob os olhares atentos do acampamento até eles se perderem de vista.

Não foi fácil encontrar o caminho. Na natureza, uma primeira olhada não costuma mostrar a melhor trilha ou, como na maioria das vezes, não havendo trilha, qual seria a melhor opção para se chegar ao destino. E, no caso do Brasil, a Mata Atlântica não é exatamente um bosque com árvores dispersas como se costuma em ver nos filmes norte-americanos. O mato é fechado, espesso e perigoso, carregado de insetos peçonhentos, cobras e, às vezes, poderia se dar de cara com algum animal feroz que os atacasse.

Só tiveram mesmo de enfrentar a mata fechada. Abriram com facões uma picada inicial e, depois, quando penetraram mais ao fundo, puderam caminhar entre árvores frondosas que proporcionavam uma sobra eterna, que dividia o local com os sons mais estranhos possíveis.

E eis que, para o horror dos dois meninos, depararam com um homem realmente enforcado, dependurado numa árvore alta, já com sinais de que estaria prestes a apodrecer, virando carniça para tudo quanto é tipo de bi-cho que disso se alimenta.

A primeira reação que um menino tem ao deparar com um cenário desses seria correr, mas o medo de ser encarado como covarde pelos seus pares e pelo Chefe Eduardo era maior que a vontade de fuga. Claro que Chefe Eduardo jamais os ralharia por isso, mas os meninos vislumbram os Professores e Chefes Escoteiros um pouco dife-rentes do que eles são, realmente.

Subiram numa árvore próxima e constataram que do ponto onde estava o cadáver, dava para se vislumbrar, através das folhas e ramagens daquele arvoredo, o acampamento de onde estavam, bem distante. Olhando na di-mensão oposta, dava para se ver o céu.

Fizeram um rápido croquis do local onde estavam e retornaram ao acampamento.

Chegaram lá de tarde e o que eles passaram deu ao Chefe Eduardo uma imensa preocupação. Ele pediu para que um dos seus Assistentes fosse a Domingos Martins e trouxesse o delegado da cidade.

No dia seguinte, o delegado chegou e os meninos explicaram o que viram. Aquela mata tinha um acesso mais rápido por uma estrada que não estava no caminho dos dois rapazes, mas, por ele ser do local, o policial co-nhecia muito bem aquela região. Ordenou, assim, que a viatura o levasse para lá. Os meninos não foram, mas Chefe Eduardo foi.

Quando voltaram, Chefe Eduardo explicou a todo o acampamento o que havia ocorrido. Aquela pessoa era um bandido procurado e jurado de morte e alguém, na região, fez justiça com as próprias mãos. Quem foi, talvez ninguém jamais saberá – quiçá, naquela época, se descobrissem o autor de tamanha barbaridade, o povo iria ho-menageá-lo.

Porém, uma coisa curiosa. Onde o morto estava era numa formação arborícola em forma de túnel, que permitiria que a luz forte de um relâmpago projetasse sua sombra por centenas de metros, chegando mesmo a mais de um quilômetro, dando o efeito que os rapazes viram naquela inesquecível noite.



Escrito por Coruja Anã às 12h41
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Da mesma maneira da mensagem postada há um mês, temos mais um excelente blog, esse mais dedicado à História propriamente dito. Trata-se do Efemérides Escoteiras.

Já faz algum tempo que o Jaguatirica Celso Correia Neves se dedica a colecionar datas históricas do Escotismo, registrando as ocorrências que afetam desde os Grupos Escoteiros até ao que aconteceu no Mundo. A História do Escotismo não começou com Baden-Powell, pois B-P, ao criar esse fantástico Movimento, estava mudando o rumo de fatos que, para serem entendidos, devem ser estudados muito antes mesmo do século XX. Isso é História, e o Celso está atento a tudo isso.

Confiram os dados no seu blog: http://celsoneves.blogspot.com.br/. Vale a pena ler.

Por exemplo, no mês dessa presente mensagem, outubro, o que tivemos por História? Nesse mês faz aniversário, no dia 13, o 1º RS Georg Black, em Porto Alegre (101 anos!), no dia 29, o 12º MG Alvorada, em Juiz de Fora e tantos outros do Brasil afora. Pela História, esse é o mês do casamento de B-P e Lady Olave (dia 30/10/1912), nascimento de Godofredo Vidal, fundador do Escotismo do Ar no Brasil, fundação do Bandeirantismo em Santa Catarina, morte de Dinizulu e início do Ramo Sênior, na Inglaterra.

E uma curiosidade extra: até 1981, o dia do Professor era também o da celebração do Dia do Chefe Escoteiro.

Um material rico que deve ser aproveitado!

 



Escrito por Coruja Anã às 20h23
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A Patrulha Jaguatirica não é a única a levantar as maravilhosas histórias sobre o Movimento Escoteiro. Ela também pesquisa e obtém pérolas fantásticas publicadas em jornais e em outros blogs. O Escotismo é algo realmente rico de passado e presente. Cremos que ele não será rico de futuro... Será milionário!

Um texto maravilhoso sobre a história do Escotismo em Blumenau, SC, pode ser apreciado em http://adalbertoday.blogspot.com.br/2013/01/100-anos-de-escotismo-em-blumenau.html. Tomem fôlego, ponham um café ao lado do micro e viajem na História. Seu autor é o jornalista Adalberto Day, que é um orgulhoso portador da Promessa Escoteira no peito.

Nossos membros são maravilhosamente criativos. Altamiro Vilhena, atualmente Conselheiro Nacional e Jaguatirica militante, possui também um blog maravilhoso, carregado de deliciosas descrições de um cotidiano que a vida urbana simplesmente desconhece, observado na sua atividade de médico na selva: o "Impressões Amazônicas". Confiram em http://impressoesamazonicas.wordpress.com/. Ele também, juntamente com o Escotista Beto Basso mantém as hilárias tiras em quadrilhos "O Balaio Quadrado", que podem ser vistas em http://balaioquadrado.com/, com direito até a piadas sadias sobre aquilo que mais entendemos e gostamos: O Movimento Escoteiro.

Recomendamos todos esses sites.

Abração a todos e Sempre Alerta,

Coruja Anã

 



Escrito por Coruja Anã às 11h43
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História do Grupo Escoteiro Georg Black - Discurso

DISCURSO PROFERIDO PELO PROFESSOR KARL BLACK NO DIA 19 DE JANEIRO DE 1963 POR OCASIÃO DA INAUGURAÇAO DA NOVA SEDE DO GRUPO DE ESCOTEIRO GEORG BLACK DURANTE O AIP- ACAMPAMENTO INTERNACIONAL DE PATRULHA EM COMEMORAÇÃO AOS 50 ANOS DO ESCOTISMO GAÚCHO.

Escoteiros da América!

            Em nome da família Black, tenho a honra e satisfação nesta grandiosa e vibrante Festa de Jubileu de Ouro do Escotismo Riograndense, de pronunciar as palavras de agradecimento às significativas homenagens prestadas à meu pai.

            Trouxe meu pronunciamento por escrito, já de antemão formulado, pois temo ser surpreendido pela emoção, que para nós familiares e particularmente para mim, que tive grande felicidade de figurar entre os 4 escoteiros que realizaram a 1ª excursão de vários dias possa acarretar um desvio involuntário dramático para àqueles tempos longínquos de juventude risonha, feliz e despreocupada, vivida a sombra de um grande homem que o Rio Grande do Sul jamais esquecerá.

            O primeiro ato deste Acampamento Internacional foi a visita ao túmulo do meu pai, onde foi colocada uma coroa dourada (de ouro). Agradeço a presença neste ato do representante do Comitê Escoteiro Mundial Dr. Casemiro Vallejos, do Escoteiro-Chefe Dr. João Ribeiro dos Santos, do presidente da Região Estadual Dr. Aristides Elias da Silveira e as chefias de todos os grupos estrangeiros e brasileiros concentrados neste grande encontro de fraternidade e amizade. Um aperto de mão especial ao nosso Chefe Lino pelas palavras proferidas no ato, que mesmo pela sua simplicidade, porém profundo sentido, gravamos nos nossos corações.

            Permita-me como preito de gratidão e com o motivo para os presentes, vindo de todos os rincões deste Hemisfério, conhecerem e sentirem algo de nosso passado, relatar, assim como ainda tenho na minha memória, os fatos iniciais da obra imorredoura para o bem da juventude riograndense, realizada por meu pai.

            Era o ano de 1913 quando viajou à Alemanha, fazendo um Curso de atualização e aperfeiçoamento na sua cidade natal de Munique.

            Numa excursão realizada com os cursistas pelas pitorescas imediações da cidade avistou um acampamento de escoteiros. Ver, deixar seguir seus companheiros e entrar em contato com o dirigente era questão de poucos segundos.

            Devemos saber que Ginástica e Escotísmo tem muitos pontos em comum. As duas se dirigem a criança com finalidade educativa, as duas preconizam o fortalecimento do corpo e

do caráter, as duas praticam a excursão e convidam a vida ao ar livre. Não era nada mais natural querer saber algo da origem e do objetivo especial deste interessante  e uniformizado grupo. Procurou posteriormente informações mais detalhadas e concretas e assim tomou conhecimento das idéias do idealizador Baden Powell deste movimento, naquele tempo, na Alemanha, ainda muito nacionalizado.

            De volta a Porto Alegre, mal passado um mês, já marchavam os primeiros Escoteiros de Terra do Brasil, morro acima, morro abaixo, pelas redondezas montanhosas da nossa capital.

            Escotismo para meu pai significava trabalho geral de formação.

            Quem com conhecia o “Velho Black”, assim apelidado por causa da sua barba, sabia que lá onde ele agia não sobrava tempo para preguiça, moleza ou coisas espalhafatosas.

            Suas idéias iniciais estavam fundamentadas, seguindo sua própria individualidade e, sobre princípios rígidos, nem por isso altamente educativos e atraentes para a rapaziada: servir ao próximo, ser franco e leal e duro consigo mesmo, levar vida sadia e em contato íntimo com a natureza, eis que ele incutiu em nosso espírito.

            As marchas, as excursões a pé de muitos dias, às vezes semanas, para ele foi a escola predileta de fazer valer e sentir seus princípios, forjando corpo e caráter na mocidade.

            Era norma dele, antes de uma excursão mais demorada, preparar-nos mentalmente para as responsabilidades que cada um deveria de assumir perante o Grupo e perante si mesmo.

            Suas palavras sempre suscitaram ressonância em nossas almas, pois sua voz marcante, clara e confiante penetrava em nossos corações tomando conta de nós. Que dizia para nós era lei, que ele fazia para nós era exemplo.

            Seu lema que se tornou nosso e que ainda hoje ouvimos tão claro como meio século atrás, era: “Um por todos, todos por um”! Com essa promessa repetido uníssono pelo grupo, partíamos para as nossas jornadas. Ouvindo estas palavras hoje, parece exagero, pois nos lembra as formulas militares, onde a tarefa a ser executada poderia dar em vida ou morte.

            Porem, não esqueçais, escoteiros de hoje, naquele tempo não havia aviões, nem ônibus, nem estradas macadamizadas e menos ainda com leito asfaltado. Eram transitáveis em tempo bom e intransitáveis em tempo ruim. Comunicações telefônicas ou telegráficas eram péssimas. Também não havia antibióticos e tantas outras drogas eficientes, que saram feridas e infecções e protegem a saúde. Neste sentido, realmente, não se podia falar de “Bom tempo antigo”.

            Em 1915 (saída de Porto Alegre dia 27/12/14 - nota de Verner Black) foi realizada a excursão Porto Alegre - Blumenau do estado vizinho. Levou 31 dias, marchamos 530 km e pernoitamos umas 15 vezes em barracas primitivas, ligeiramente armadas após 30 a 35 km de marcha.  O escoteiro mais moço, de 12 anos de idade – esse seu servo (Karl Black – nota de Rubem Süffert), levava mochila e equipamento de 15 kg e o meu pais carregava nas costas e no cinto 25 kg.

            Durante a audaciosa jornada havia dias onde meu pai tinha de passar a chefia e responsabilidade ao sub-chefe de 16 anos de idade e, pois ele mesmo, enfermo e abatido, tinha de ser transportado em carreta de bois.

Meus amigos, absolutamente, não era brincadeira levar naquele tempo 15 rapazes, quase meninos ainda, numa excursão tão longa e penosa.

Mas era o “um para todos e todos para um”, vivido em realidade nua e crua, que nos tirava de todos os apuros. A camaradagem, o espírito de grupo, a união, forjada nesta escola, acertou em cheio os princípios pregados pelo meu pai.

            Eis aí, pintadas com cores claras e verdadeiras o retrato fiel do nosso “Velho” tão estimado e querido chefe.

            Tinha de ser um homem deste formato, deste valor e bravura, desta vontade férrea e desta confiança em Deus, que tornasse possível a transmissão e permanência de seu ideal que se podia ser adquirido por sacrifício, esforço e trabalho incansável em si mesmo mas que, em compensação irradiava satisfação, alegria e uma abundância de sentimentos puros e nobres, pois voltava-se enriquecido e ardente ao saber ter vencido uma grande batalha para o seu próprio bem e felicidade.

            Por terem seu ideal e seu trabalho esta força vital e protetora é que nunca faltavam  chefes e líderes que conduzidos pela claridade  e calor desta chama, acesa no altar da virtude e do amor ao próximo, que ainda hoje, e mais fortes que antes, o movimento de escotismo na nossa SOGIPA continua florescendo, atraindo tantos que mesmo a nova sede, com o tríplice de capacidade da antiga,não é capaz de abrigá-los.

            Bem merece, querido pai, que talvez nesta hora aprecies a glorificação da tua obra, que esta casa eterniza o teu nome, nome que se tornou símbolo do escotismo riograndense, símbolo de tenacidade, vigor e amor a seu semelhante.

Encerro com este curto fundamental retrospecto do nosso movimento com a esperança que tenha conseguido lá do passado trazido um lampejo de espírito que reinou ou melhor, ferveu entre nós os antigos, hoje carinhosamente chamados “dinossauros”.

            O Escotismo dos dias atuais, regulados e uniformizado por normas internacionais, visto duma posição mais alta, abrangendo a mocidade de todo o globo terrestre é algo diferente. Tem de preocupar-se com problemas do adolescente e da juventude em geral que outrora não existia. Sua missão é mais séria e acarreta maior responsabilidade. Perigosas forças sedutoras estendem suas garras aguçadas procurando arrancar já em tenra idade o maior bem que possuímos, a nossa mocidade do caminho da virtude para levá-la ao labirinto do mal e confusão donde somente a muito custo posam livrar-se e voltar a respirar o ar da virtude e beleza moral.

            Com vistas voltadas a esta maldosa atualidade manifesto o ardente desejo que contando do nosso passado, do brio de nossas façanhas, alguma fagulha tenha alcançado vossos corações e vos venham ajudar, embora modestamente, na árdua mas bela e meritória tarefa de, em conjunto com outras entidades e instituições protetoras e educativas erguer um dique de proteção contra tudo que rebaixa, destoe e corrompe asa boas qualidades humanas.

             Ao terminar, em nome de meus familiares, agradeço a todos a tudo que de uma ou de outra forma veio destacar o nome do nosso pai, nosso guia e mestra.  Nosso preito de gratidão, especialmente, ao Conselho Deliberativo do nosso Grupo, que lançou a campanha da construção da nova sede, liderada inicialmente pelo dinâmico presidente Sr. Edgar Siegmann e ao deixar o cargo, continuada pelo incansável secretário Sr. Frederico Schertel, a diretoria da SOGIPA, na pessoa do seu jovem, mas ardoroso presidente Sr. Gerhard Theissen, e a todos os contribuintes para a obra.

            As minha últimas palavras reservei para uma homenagem especial. Uma homenagem que não tenho capacidade nem eloqüência suficiente para expressá-la assim, como deveria ser expressada.

            Como pode acontecer em qualquer grande empreendimento, também o nosso, a construção desta casa, tinha de atravessar uma crise bastante pronunciada.  Quando muitos recuaram perdendo fôlego  e entusiasmo, um nunca recuou. Desprezando seus deveres profissionais e familiares, saltou decididamente em cada brecha que se abriu. Era este que há mais de 15 anos dirige com o mais profundo amor a mocidade o nosso Grupo, o nosso muito querido Chefe Lino. Chefe Lino vejo em ti recrudescer aquela tenacidade, aquele espírito de vencer e vencer a todo o custo que tanto prestigiou o primeiro chefe deste Grupo sogipano, o meu pai. Sem tua ação “Sempre Alerta”, o nosso antigo “Allzeit Bereit”, a obra não teria chegado ao ponto de ser hoje, condignamente, inaugurada.

         Dirijo-me, agora, a vós todos escoteiros presentes nesta solenidade.

            Desejamos todos nós, para o bem e a glória do Escotismo universal, que permaneça sempre acesa esta chama vital que é o espírito de tenacidade e vontade sem o que nada de bom e grandioso se faz neste mundo, representado tão fielmente na pessoa do nosso chefe Lino.

            Merece ele os nossos mais sinceros e efusivos agradecimentos e expressamos nossa gratidão erguendo todo nós nossa voz em coro uníssimo em um tríplice viva a ele e seus familiares.

 

            A Chefe Lino, a personificação do ideal do escotismo : viva – viva – viva-.               



Escrito por Coruja Anã às 20h19
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História do Grupo Escoteiro Georg Black - Bibliografia a Resumo de Participações

Bibliografia:

            AM LAGERFEUER (No Fogo de Conselho) uma publicação dos Escoteiros Riograndenses de outubro de 1924 - 1º ano - Caderno 7.

            DER PFADFINDER – Ano 4 nº 8 – Outubro  de 1915 e nº 10 Dezembro de 1915 – página 1.

            HOFF, Antônio Carlos, “Para Que Não Se Dê Por Passado – O Escotismo Gaúcho de 1968 a 1982”. Porto Alegre. Gráfica e Editora RJR. 2005.

HOFMEISTER Fº, Carlos “Doze Décadas de História”. Porto Alegre. Gráfica Editora Palotti. 1987.   

CYTRYNPWICZ, Roney e ZUQUIM, Judith, “80 Anos de Escotismo e Judaísmo – A Construção de um Projeto para a Juventude – Uma História do Grupo Escoteiro e do Distrito Bandeirante Avanhandava”. São Paulo. 1999.

NASCIMENTO, Jorge Carvalho do, “A Escola de Baden-Powell – Cultura Escoteira, Associação Voluntária e Escotismo de Estado no Brasil”. Rio de Janeiro. Imago. 2008.

O ESCOTEIRO GAÚCHO nº 4 - Ano II, dezembro de 1954 – pág. 9.

O LIDER nº 11, Setembro 1961, 12, Outubro 1961, 13, Novembro 1961, 14, Dezembro 1961 15 Janeiro/Abril 1962 e 20, 1964

SILVA, Heike Roselane Kleber, “SOGIPA – Uma Trajetória de 130 Anos”. Porto Alegre. Gráfica Editora Palotti, Editores Associados Ltda., 1997.

SILVA, Heike Roselane Kleber, “A Trajetória de uma Liderança Étnica – J. Aloys Friederichs (1868-1950)”, em tese de doutorado na UFRGS – 2005.

SILVA, Heike Roselane Kleber,  “A Identidade Teuto-brasileira Pensada pelo Intelectual Aloys Friederichs”

 

WIESER, Lothar e LEITE, Luciana, “Educação Física – Pioneiros do RS: Georg Black”  in “Atlas do Esporte no Rio Grande do Sul”, no endereço: www.cref2rs.org.br/atlas/cd/texto/georg_black.pdf)

 

Resumo da participação do Grupo em atividades nacionais, panamericanas e mundiais:

                         

ANO          Nº               E V E N T O

1939           I                 Ajuri Nacional na Quinta da Boa Vista- Rio de Janeiro

1954                              A.I.P. Acampamento Internacional de Patrulha-Quartocentenário S. Paulo

1957           III              Ajuri Nacional do 50º Escotismo Mundial/ Tubiacanga-Il. Governador-RJ

1960                              A.I.P. dos 50 anos Escotismo Brasileiro, Vila Albano, Jacarepaguá-RJ

1963                              A.I.P. dos 50 anos do Escotismo Gaúcho, Pq. Saint Hilaire, P.Alegre-RS

1963           11º              Jamboree Mundial da Grécia

1964                              Jamboree Panamericano do Paraguai

1965           1º                Jamboree Panamericano, IV Centenário do Rio de Janeiro-Ilha do Fundão

1965           IV              C.I.P.A. Campamento Intern Patrullas, Asunción-Paraguai

1967           12º              Jamboree Mundial em Ohio nos Estados Unidos da América do Norte

1969           2º                Mutirão Pioneiro Nacional em Porto Alegre (SOGIPA) e Itaimbezinho-RS

1970           2º                Jamboree Panamericano em Asunción-Paraguai

1971           13º              Jamboree Mundial, Monte Fuji-Japão

1972           I                 ANEI???? Nacional, Joinville-SC

1973                              Camporee Sul-RS

1975           I                 ANEI (Acamp. Nacional Escot da Integração),Desvio Rizzo, Caxias-RS

1975           14º              Jamboree Mundial da Noruega

1978                              A.I.P. (Acampamento Internacional de Patrulhas.Pq. Saint Hilaire-RS

1978           II                Inbada Nacional, Brasilia-DF

1979           I                 Encontro Interamr.de Coordenadores de Guias e Mestres Pio.-México

1981           IV              Jamboree Panamericano, Pq. Saint Hilaire, Porto Alegre-RS

1981           I                 Rover Moot Panamericano, Pq. Saint Hilaire, Porto Alegre-RS

1983           15º              Jamboree Mundial do Canadá, Alberta

1985           IV              Ajuri Nacional –Ano Internacional da Juventude, São Paulo-SP

1986                              Jamboree Farroupilha-,Pq. Hist.Gen. Osório-Tramandaí-RS

1987/88      16º              Jamboree Mundial , Cataract Scout Park- Australia

1989                              Jamboree Panamericano Austral, Villarica-Chile

1990           V                Ajuri Nacional, Pq. Histórico Gen. Osório-Tramandai-RS

1992/93                         Jamboree Colombo, Pq. Histórico Gen. Osório-Tramandai-RS

 

1994                              A.I.P. Acampamento Internacional de Patrulhas, Barretos-SP

 



Escrito por Coruja Anã às 20h18
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História do Grupo Escoteiro Georg Black - 20 - Antigos Chefes de Grupo/Diretores de Escotismo e Presitentes da Comissão Executiva/Diretores Presidentes da Diretoria

 

20.  ANTIGOS CHEFES DE GRUPO/DIRETORES DE ESCOTISMO E PRESIDENTES DA COMISSÃO EXECUTIVA/DIRETORES PRESIDENTES DA DIRETORIA

ANTIGOS CHEFES DE GRUPO

/DIRETORES DE ESCOTISMO

ANTIGOS PRESIDENTES DA COMISSÃO EXECUTIVA/DIRETORES-PRESIDENTES DE DIRETORIA DO GE GEORG BLACK

1913 / 1922 – Ch. Georg Black                                                           

1922 / 1928 – Ch. Rudolf Falk                                                           

1928 / 1937 – Ch. Sven Robet Schulze                                             

1937 / 1944 – Ch. ARNALDO WACLAWOSKY                            

1944  a          - Ch. Lino Augusto Schiefferdecker                             1958 -Herbert Haupt, 1959 a 1961 -Edgar Siegmann e de 1961 a 1963- Cláudio Bopp, Frederico Schertel ,

1966 /1967 - Ch. Lino Augusto Schiefferdecker                              Tito Alberto Gobbato

1968/1969 - Ch. Lino Augusto Schiefferdecker                               Norberto Dias Loch

1974/ 1975 - Ch. Lino Augusto Schiefferdecker                              Klaus Andreas

1976/ 1977 - Ch. Lino Augusto Schiefferdecker                              Fernando Ribeiro

1978 – Ch. Lino Augusto Schiefferdecker                                         Wilson Schumacher

1978/1979  – Ch. Verner Black                                                           Wilson Schumacher

1980/1981 - Ch. Verner Black                                                             Breno Ruthner

1982 /1983 – Ch. Verner Black                                                           Sadi Vicentini

1984 / 1985 – Ch. Walter Eichler                                                         Antonio Chirico

1986/1987 Ch. Sérgio Antonio Schiefferdecker                               Ruben Reuter

1988/1989 Ch. Sérgio Antonio Schiefferdecker                               Rui Chittó

1990/1991  Ch. Sérgio Antonio Schiefferdecker                              Osmar Stücker

1992/1993 Ch. Sérgio Antonio Schiefferdecker                               Nelson Wulff

1994 / 1995 – Ch. Rudi Peter Sommer                                               Júlio Stédile

1996/ 1997 – Ch. Rudi Peter Sommer                                                Roberto Kerber

1998 / 1999 - Ch. Gilberto Pereira de Moraes Jr.                              Rudi Peter Sommer

2000/ 2001- Ch. Suzana Maria Schiefferdecker Sommer              Nivaldo Correa

2002/ 2003-  Ch. Suzana Maria Schiefferdecker Sommer             Maria Antônia de Oliveira Pauls

2004 / 2005 - Ch. Gilberto Pereira de Moraes Jr.                              Jorge Amorim

2006 / 2007 – Ch. Cleyton Brescovit Pinho                                      Ivan de Böer

 

2008/ 200__ – Ch. Cleyton Brescovit Pinho                                     Carlos Renato Henke

 




Escrito por Coruja Anã às 20h13
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História do Grupo Escoteiro Georg Black - 18 - Praça Lino Schiefferdecker

18.  PRAÇA LINO SCHIEFFERDECKER

            Dia 15 de março de 2008 foi inaugurada a Praça Lino Augusto Schiefferdecker, com grande participação de escoteiros, amigos e antigos escoteiros da SOGIPA, que foram homenagear nosso antigo Chefe de Grupo.  A praça é localizada na confluência das avenidas Dona Adda Mascarenhas de Moraes, Nestor Valdman, Walter Kaufmann e rua Zeev Jabotinski.

Dias 15 a 17 de agosto de 2008, antigos Escotistas, Pioneiros e Pioneiras do Grupo, que 40 anos antes participaram da criação e primeiros anos do 1º Clã Misto, fizeram uma reunião no Hotel Village da Serra e na sede do Grupo, em São Francisco de Paula. Foi o 1º GEP – Grande Encontro de Pioneiros, organizado pelo antigo pioneiro Márcio Martins de Lima. Além das excelentes lembranças, os presentes estabeleceram um aprimoramento no sistema de comunicação em busca de uma linha de trabalho, da qual este histórico é um dos resultados. No domingo, a maioria dos integrantes, fizeram uma visita sentimental ao Itaimbézinho. 

É dos mais tradicionais o Acampamento de Grupo de Aleluia realizado, antigamente na 6ª-feira santa e no sábado de Páscoa, e agora em fim-de-semana próximo à Páscoa, quando os seniores acordam os escoteiros de surpresa, levando ovos de Páscoa.  Em outubro, o Grupo realiza reunião com seus antigos integrantes, denominados “Dinossauros”.

De 25 a 27 de janeiro de 2008 o Grupo participou do Camporee Gaúcho, no Parque Marechal Osório, comemorativo do Centenário do Escotismo Mundial, com uma delegação formada por 31 membros do Grupo, conforme relação abaixo: Lobinhos – Alexandre Arias, João Pedro Rodrigues, Lafayete da Silva Waltermann e Pedro Rasia Schiefferdecker; Escoteiros – Andrei Demin, Belcris Mazzitelli, Carolina Warzeniak, Ernesto Vasconcellos, Fernanda Carriconde, Gabriel Voelcker, Gustavo Maierhofer, Karina Gestaro, Laís Pinho, Lucas Kajiwara, Marcos Maierhofer, Marina Maierhofer, Mateus Henke, Pedro Henrique Ferzola, Rodrigo Henke, Samara Chollet, Stephanie Costa e Vinícius Gestaro; Seniores – Thiago Kajiwara e Rodrigo Raya; Pioneiros – Andreas Blank (Escoteiros) e Karine Grub (Seniores); Chefes – Anelise de Quadros, Cleyton Pinho e Mônica Carriconde (Escoteiros) e Susi Pinho (Lobos) Apoio Médico – Anelise Gestaro.   Mais de 1.000 escoteiros de todo o Brasil disseram presente.

O atual Diretor Presidente do Grupo é Carlos Renato Henke e o Diretor Técnico do Grupo, desde 2006, é Cleyton Brescovit Pinho.

 

Se considerarmos uma permanência média de 2 anos e um efetivo médio do Grupo Escoteiro Georg Black de 127 integrantes, mais de 6.000 jovens foram beneficiados pelo Método Escoteiro na SOGIPA nesses 95 anos de existência.  Nosso desafio é estabelecer novamente contatos com a maioria deles.  Se esse é seu caso, convidamos a contatar com: Rubem Süffert – suffert@pop.com.br, Diki Schertel – diki@worxeventos.com.br ou Márcio Martins de Lima - mardelima@hotmail.com, ou com o atual Diretor de Escotismo do Grupo Cleyton Brescovit Pinho – cleytonpinho@terra.com.br.



Escrito por Coruja Anã às 20h07
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